Sobre a inclusão de crianças especiais na escola regular
Quando falamos sobre o processo de inclusão escolar e a necessidade de serviços de apoio, partimos da ideia de que a inclusão é mais do que uma mudança de sistema de ensino para o aluno com necessidades educacionais especiais.
Determinamos a importância de transformações profundas na
escola, no que se refere à metodologia, currículo e avaliação bem como Mudanças
mais subjetivas, quando referem-se as concepções de apoio essenciais durante o
processo de inclusão deste aluno no ensino regular para que o mesmo obtenha
sucesso em nossa realidade educacional.
Apontar dados como
faixa etária dos alunos, séries e disciplinas envolvidas no projeto. Falar sobre o processo
de inclusão e a necessária existência – implantação/implementação – de várias
instâncias de serviços de apoio para que o mesmo se concretize, demanda discutir
criticamente os múltiplos aspectos sobre educação, ou seja, a concepção dos professores
sobre o processo de ensinar e o processo de aprender, sobre o sujeito que
aprende e como este sujeito aprende, sobre as dimensões do conhecimento, sobre
o contexto social, econômico e cultural em que o aprendente e ensinante encontram-se,
entre outros fatores.
Analisando a
educação atual no Brasil, percebesse uma forte tendência por parte dos
educadores em buscar resposta a estas questões, essencialmente resgatar e/ou
intensificar os estudos sobre o importante papel da educação formal escolar,
bem como do papel que tem o professor neste processo. A educação, não
esqueçamos, não pode ser concebida como um aspecto em separado da realidade
social. Ela reflete claramente as questões políticas, sociais, os interesses de
quem detem o poder e os recursos financeiros para promover formação
profissional e continuada. tudo faz parte de uma rodaviva, onde os mecanismos
funcionam arquitetados de forma a responder as necessidades políticas de cada
período histórico. Desta
esma forma, deve-se refletir sobre o Paradigma da Inclusão, ou seja, se faz
necessário ter clareza de que em vários momentos ele pode e é visto como uma
forma de “baratear” a educação, já que a Educação Especial é uma forma de
atendimento muito específica e considerada, economicamente, de alto custo. Se
nosso pensamento vai por este viés, fazemos parte do grupo de educadores que
acredita que “inclusão” seja sinônimo de “ensino regular”, defendendo a ideia
de que a educação nas escolas regulares é a melhor opção, e que o professor
dará conta de promover o processo de conhecimento e desenvolvimento de valores
junto a ampla e complexa diversidade humana.
6. Você acredita que a inclusão pode
contribuir para diminuir o preconceito? Por quê?
“Meu amigo diferente é especial”
João Augusto – 10 anos.
“Eu acho ele especial por que
mesmo sendo diferente age da mesma maneira que as outras pessoas”
Alyne Araujo – 10 anos
“Eu acho ele especial por que
mesmo sendo diferente é meu melho amigo”
Amanda Araujo – 08 Anos
“ Ela é especial mesmo não podendo mexer as
perninhas ela brinca da mesma maneira como eu”
Entrevista com um educador sobre dificuldades enfrentadas no exercício da função com alunos portadores de deficiências físicas ou mentais
Entrevistado: Luciana Silva Faria
Idade: 32 anos
Formação: Professora de língua
Portuguesa especializada no atendimento de crianças especiais
1.O que é a inclusão escolar?
A expressão “inclusão escolar”,
para mim, tem um significado bem amplo.
Pode significar simplesmente
inserir a pessoa com alguma deficiência na escola ou pode significar dar ao
deficiente todo apoio necessário para uma completa aprendizagem.
2. O processo de inclusão influenciou o seu trabalho? De que forma?
Certamente que influencia o trabalho
de todo professor que trabalha com deficiências. Isto porque um professor da
educação especial trabalha com as
múltiplas deficiências. Por
exemplo: da mesma forma que não temos homogeneidade em crianças com visão dita
normal, também não temos
homogeneidade com deficientes
visuais. Cada um tem suas particularidades.
Vivemos uma diversidade muito
grande.
3. Qual é o papel do professor no contexto da
inclusão escolar?
Proporcionar autonomia e ensiná-lo
para os mesmos fins: cidadão crítico e
atuante na sociedade.
4. E o papel dos pais? O que você acha que os pais
podem fazer para auxiliar
os seus filhos na escola?
Os pais são importantíssimos
neste processo; porém, o professor não pode
esperar que os pais eduquem
academicamente os seus filhos. É de responsabilidade do professor o ensino, as
lições e tudo que for pedagógico.
Aos pais, coube, cabe e sempre
caberá dedicar carinho, amor e respeito aos
seus filhos.
5. Como os demais alunos da sala receberam o aluno
portador de deficiência?
Como é o relacionamento entre eles?
Dependendo da idade, esta
recepção se dá de forma diferente. Pela minha
experiência, pude observar que
crianças recebem de forma mais pura e sem
preconceitos. Já os adolescentes
e os adultos intimidam-se um pouco mais no início. O professor deve sempre
mediar estes relacionamentos com sensatez e referências.
Sim, porque o preconceito é
aprendido, toda a vez que mostramos que é possível escolher os que podem ficar
dentro e os que vão para fora de um grupo, seja na escola ou na sociedade em
geral.
7. Como deve ser o currículo no contexto da
inclusão escolar?
Na minha opinião, deve ser o
mesmo, salvo possíveis adaptações no que se
diz respeito a materiais de apoio
diversos para uma completa aprendizagem
8. Na sua escola, são disponibilizados serviços de
apoio à criança portadora
de deficiência? Quais?
Trabalho em dois locais
diferentes: na rede estadual e em uma escola
particular. Em ambas são disponibilizados
serviços de apoio; porém, na escola particular eu tenho mais recursos para a
efetiva aprendizagem do deficiente visual
9. Você acredita na inclusão? Por quê?
Acredito em partes, já que acho
que estamos apenas engatinhando. É uma
questão muito complexa e, do meu
ponto de vista, tem muitas falhas. Uma
criança especial
(independentemente de sua deficiência) precisa de vários
estímulos extraescolares para que
a aprendizagem se efetive. Por exemplo:
Uma criança deficiente visual não
aprende a ler e escrever com uma criança
que enxerga. Existe um período
preparatório para o Braille, essencial para sua
formação futura. Depois, ela fica
silábica por um bom tempo, faz exercícios
repetitivos de sílabas. As
estimulações não são visuais, portanto, a sala não
é um ambiente estimulador. São
outras necessidades.
10.Quais as principais dificuldades enfrentadas por
professores e escolas no processo de inclusão? Como superá-las?
O principal obstáculo é o modo de
organização das escolas, que é excludente, por natureza. Os professores têm muitas
dificuldades no sentido de concatenar processos educativos includentes com os
que vigoram ainda nas escolas e que
implicam em categorizar e
hierarquizar alunos e as próprias escolas, pelo desempenho de ambos, diante das
exigências do sistema de ensino, das “cobranças”, entre outras. A superação
dessas barreiras acontece quando existe compreensão do que é a inclusão e de
seus propósitos de transformar a escola, no sentido de fazer dela um ambiente
colaborativo, onde os alunos
aprendem segundo suas capacidades
e têm livre expressão de suas idéias, não sendo meros repetidores de
conhecimentos que lhes são transmitidos. Para que essa “virada” da escola
aconteça, a formação continuada é fundamental. Os professores precisam atualizar
suas práticas e estarem convencidos de que o ensino que ministram não dá conta
das diferenças de todos os alunos que freqüentam suas turmas. Os pais,
novamente podem ser grandes aliados da escola para que seus
membros se sintam estimulados a
fazer uma revisão e uma reorganização pedagógica do que é propiciado aos alunos
e do valor do ensino para que estes, de fato, se beneficiem do processo
educacional formal.
11. Qual o papel das instituições superiores na
preparação de professores que vão atuar nessa área? Os novos professores já
saem preparados para atuar na inclusão?
Formação garante em parte essa
preparação, porque não há como assegurar aos concluintes de uma formação que estão
assegurados para exercício profissional com os conteúdos e estágios que
realizaram em uma determinada área do
conhecimento, especialmente
quando se trata de ciências humanas e do magistério em todos os seus níveis.
Há, contudo, a necessidade que a formação inicial dos professores se ajuste
para atender a um novo perfil de aluno e de escola, na
perspectiva da inclusão.
12. É importante que os professores das escolas
comuns participem de cursos ou seminários para aprenderem a lidar
com a inclusão?
Os professores devem estar sempre
participando de cursos, encontros, seminários para que possam se atualizar,
para melhor desenvolver suas atividades nas escolas, segundo o que requerem as
novas propostas educacionais, sejam as que
tratam da inclusão , como de outros assuntos do momento.
A escola inclusiva tem por fim
promover o acesso, a permanência e o sucesso dos alunos com necessidades educativas
especiais, na rede regular de ensino, de forma real, já que existem tantas
possibilidades de fazê-lo.
Inclusão implica mudança, tanto
no sistema quanto na escola. Nesta, começa-se
pela parte física e continua-se até
o currículo, que deve ser reestruturado, adaptado, readaptado (em todos os seus
aspectos), transformado: acessível ao portador de necessidades educativas
especiais.
Para isso é preciso que os
sistemas de ensino criem estruturas e programas de apoio aos professores na capacitação
e remuneração adequada, e também possibilitem às escolas instrumentalização e
espaços adequados que possam estimular o aprendizado dos alunos com
necessidades educativas especiais.
A escola, a partir da sua
proposta pedagógica, pode efetuar mudanças radicais em toda a sua estrutura educacional.
Para que a educação inclusiva seja realmente efetiva e eficaz, o que se propõe
é que se cumpram as leis.
''A escola é o começo de tudo. Se ela não alterar
seus princípios, adeus sociedade inclusiva''.
" As crianças especiais também aprendem brincando e nada para elas é impossível"
Assista:
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